From dezembro 2015

As polêmicas de 2015

por Lucas Rezende

No penúltimo dia do ano, CIRCUITO decidiu mexer nos arquivos e relembrar algumas – das muitas, modéstia à parte – notas exclusivas que publicamos em nosso espaço diariamente. Só descer.

Ruído: Kleber Simpatia brigou com a diretoria da Jucutuquara, se afastou da escola, voltou de surpresa para cantar no dia do desfile e barraco – com socos e pontapés – aqueceu a concentração.

Desgosto: Mestre Ditão, presidente da Jucutuquara, faleceu na semana em que soube que a prefeitura de Itapemirim não honraria com a doação de verba para a escola.

Made In Rio: a chegada em terras capixabas de duas festas que fazem barulho a cidade maravilhosa: Outros 500 e Baile do Zeh Pretim.

Vela preta: um pai de santo – que mais tarde se tornou namorado da diretora – foi ao set de gravações de “Que horas ela volta?”, estrelado por Regina Casé, e benzeu todo a área externa da locação.

Vela preta (2): a porta da reitoria da Universidade Federal amanheceu com muita vela vermelha, cachaça, caveiras, cachimbos, e animais de brinquedo. Quem chegou rezou no mínimo três Pai-nosso com medo do que ali se deparava. Era algo que aludia a algum ato de culto sincrético, mas, se na realidade, se tratava de um “despacho” – modo preconceituoso de denominação -, como muitos ali perto se referiam, ou não, ninguém sabe. Verdadeiro ou armado, aquela ornamentação toda, e que você aqui confere ao lado, revoltou professores e pesquisadores sobre religiões afro-brasileiras da Universidade.

Axé: Vitória volta a sediar uma micareta, o Espírito Elétrico, no Sambão do Povo.

Carteirada: o deputado estadual Rafael Favatto chegou atrasado a uma peça de teatro na UFES e, usando de seu poder de parlamentar, quis infringir as regras e seguir para a plateia.

Por pouco: a coluna teve o desprazer de noticiar o cancelamento do show de Snoop Dogg que aconteceria nesse verão em Guarapari. Não só o show em solo capixaba, mas todos os outros Brasil afora foram foiçados. No caso da nossa terrinha, houve quebra de contrato.
À época, ainda havia possibilidade de um contrato ser fechado para o mês de abril, dependendo da negociação do cachê.

Bye, Norte: o Vitória Moda deixou a parte business do evento em Colatina para voltar a reunificar com a parte fashion em Vitória.

Cinderela: a Fluente, balada alternativa da produtora Anfimofo que ficou território em Jardim da Penha sofreu um processo no Ministério Público por parte de dois moradores da rua, alegando que a festa fere a moral e os bons costumes. Com a situação, as festas passaram a acabar 01h, não mais às 05h.

Perigo: Um homem, de forma anônima, ameaçou fazer uma chacina no Fluente, durante a festa Manda Nudes. Ele disse que comprou um “três oitão” – aludindo ao calibre do revólver – e que vai “descarregar” contra “gays, travestis e putas degenerados” – se referindo ao público do local com um discurso homofóbico. A postagem foi ilustrada com uma foto de Wellington Menezes, responsável pelo Massacre do Realengo.

Coroas: Juliana Couto subiu de madrinha para rainha de bateria da Boa Vista, enquanto Bryce Caniçali fechou com a Imperatriz do Forte.

Troféu: Matheus Nachtergaele foi o homenageado nacional do 22º Festival de Cinema de Vitória.

Recado aos inimigos: Simonton Araújo, pastor da Missão Praia da Costa, comemorou seu aniversário na Igreja com a presença do polêmico Silas Malafaia. Como era de se esperar, um coletivo em favor de minorias protestou com cartazes na frente do tempo contra o posicionamento de Malafaia em relação aos homossexuais. Eis que Simonton resolveu fazer um convite, digamos, desafiador: “se domingo quiserem fazer o mesmo [protesto] durante cinco minutos no culto, depois de ouvirem a mensagem, eu paro tudo, dou a oportunidade e, desde que, depois eu possa abraçá-los”.

Denuncia: a hashtag #MeuAmigoSecreto tomou as redes sociais no segundo semestre. Por meio dela, mulheres relataram episódios de machismo, corroborando a luta do movimento feminista. Os vários relatos vão desde comportamentos do cotidiano como “#MeuAmigoSecreto não é machista, mas odeia quando a mulher ganha mais” até depoimentos de abuso sexual e psicológico em primeira pessoa.
Em um desses casos, figurões da sociedade capixaba (que a coluna continuará mantendo o anonimato atribuído nas postagens) surgem, como um famoso psicólogo com consultório na Praia do Canto que, por vezes surgem em programas de TV. Este, ao atender uma paciente que havia sido abusada na faculdade, disse: “Ainda bem que você não lembra, não é mesmo?”. Em outro, um chefe de departamento da Universidade Federal do Espírito Santo é apontado por assediar “alunas dentro e fora da sala” de aula. “Inclusive, me olhava de cima a baixo e dizia ‘mulata encorpada’ toda vez que eu chegava atrasada”, conta outro depoimento. E a lista é longa: jornalista, filho de famoso empresário e político.


Mico: show de Milton Nascimento que aconteceria no SESC Glória foi cancelado por ter vendido apenas 56 ingressos. Segundo a MPB Produções, o show foi cancelado por eles e, diante a situação, estão acionando o departamento jurídico “para que sejam tomadas as devidas providências conforme previsão legal e cláusulas contratuais previamente estabelecidas”.